A Câmara de Vereadores de Florianópolis aprovou por unanimidade a criação da Política Municipal de Turismo de Base Comunitária (TBC). A nova lei, originada por projeto do ex-vereador e atual deputado estadual Marquito (PSOL), reconhece oficialmente esse modelo de turismo que valoriza as comunidades locais, o patrimônio cultural e natural da capital catarinense, promovendo o desenvolvimento sustentável e o protagonismo dos moradores.
O TBC é definido como um turismo construído em redes colaborativas, com experiências que conectam visitantes e anfitriões a partir de vivências culturais, ambientais e simbólicas do território, sempre priorizando produtos e serviços com identidade local.
A legislação estabelece oito diretrizes principais, entre elas:
- Gestão comunitária de visitas a sítios naturais, sagrados e socioculturais;
- Valorização da memória e cultura de grupos sociais vulneráveis;
- Estímulo ao sentimento de pertencimento nas comunidades;
- Fomento ao comércio justo e à economia solidária;
- Incentivo ao protagonismo feminino na preservação do patrimônio;
- Criação de um cadastro municipal de atividades de TBC;
- Proposição de um fundo municipal voltado ao setor;
- Implantação de um fórum itinerante para troca de saberes e ampliação do diálogo.
Uma nova perspectiva para o turismo na capital
Reconhecida por suas praias e belezas naturais, Florianópolis avança agora para consolidar uma imagem mais diversa como destino turístico. Desde os anos 1970, o turismo tem sido motor do desenvolvimento econômico local, mas iniciativas ligadas à cultura e à identidade comunitária vêm ganhando espaço — e agora respaldo legal.
Na prática, o TBC fortalece a atuação de moradores locais como pescadores, benzedeiras, artesãos, agricultores e engenheiros de farinha, que compartilham seus saberes e modos de vida com os visitantes, garantindo que os benefícios sejam distribuídos de forma coletiva e sustentável.
“Preservar a memória viva da cidade”
O líder do governo na Câmara, vereador Diácono Ricardo (PSD), destacou o impacto positivo da proposta. “Valorizar quem conhece a história do bairro é essencial. Com o tempo e com a tecnologia, muita coisa se perde. Esse projeto garante que essa memória viva seja registrada, valorizada e passada adiante. É uma forma de manter viva a alma da cidade.”
Já o líder da bancada do PSOL, vereador Afrânio Boppré, reforçou o caráter coletivo e democrático da construção da nova política. “Foi uma proposta debatida com especialistas e com as próprias comunidades. Florianópolis ganha ao diversificar seu turismo, gerando renda, capacitação e ocupação em áreas muitas vezes deixadas de fora do roteiro tradicional.”
Com a nova política, Florianópolis se consolida como referência não apenas em turismo de sol e mar, mas também como um polo de turismo cultural, comunitário e sustentável.


