Conhecida por suas águas cristalinas e apelidada de “Caribe catarinense”, a Ilha do Campeche, em Florianópolis (SC), passou a ser oficialmente administrada pelo município. A mudança de gestão foi anunciada na segunda-feira (18) e marca também a criação do Monumento Natural Municipal da Ilha do Campeche, uma nova unidade de conservação ambiental.
Antes sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), com mediação da Justiça Federal, a ilha agora será gerida diretamente pela prefeitura. Com isso, a administração municipal passa a controlar o acesso, o turismo e as ações de preservação na área de 51 hectares, situada a cerca de 1,5 km da costa da capital catarinense.
A decisão é fruto de um processo de conciliação que envolveu órgãos federais, estaduais e locais, e culmina com a formalização da ilha como área protegida segundo as diretrizes do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Com isso, Florianópolis passa a contar com 11 unidades de conservação municipal.
Preservação e turismo controlado
Embora a Ilha do Campeche já fosse considerada uma Área de Preservação Permanente (APP) desde 1985, e tombada como patrimônio arqueológico, etnográfico e paisagístico pelo Iphan em 2000, o local vinha enfrentando problemas ambientais. Segundo a prefeitura, a exploração irregular e o excesso de visitantes ao longo dos anos colocaram em risco seu ecossistema e patrimônio histórico.
Para o secretário de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Alexandre Waltrick, a nova classificação oferece instrumentos legais para conter esses impactos. “É um avanço fundamental, especialmente para a conservação e a qualificação da experiência dos visitantes”, afirmou.
O que muda na prática?
A visitação continuará sendo permitida, mas com regras mais rígidas e foco na conservação ambiental e cultural. A prefeitura pretende manter o controle de acesso, com limite de 800 visitantes por dia — número já definido por determinação judicial. No início do ano, uma portaria municipal passou a exigir ingressos para entrada na ilha, e visitantes sem bilhete foram barrados.
Entre as medidas previstas estão:
- Monitoramento constante do número de visitantes;
- Infraestrutura voltada à sustentabilidade;
- Atividades de educação ambiental;
- Criação de um Conselho Gestor participativo;
- Elaboração de um Plano de Manejo, com previsão de conclusão entre 2025 e 2026.
A transformação da ilha em unidade de conservação foi conduzida pela Fundação Municipal do Meio Ambiente (Floram), com apoio de um grupo técnico multidisciplinar criado em 2024. O processo envolveu estudos ambientais, oficinas, consultas públicas, visitas técnicas e articulação institucional.


