A Polícia Federal identificou indícios de pagamentos ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. As informações constam em relatório revelado pelo jornal O Globo, em reportagem de Malu Gaspar.
De acordo com a publicação, o documento reúne registros de telefonemas entre Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de menção a um convite para a festa de aniversário do ministro e conversas do empresário com terceiros sobre possíveis pagamentos relacionados ao resort Tayayá, empreendimento ligado à família de Toffoli.
O relatório, com cerca de 200 páginas, foi entregue pessoalmente ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Embora não haja pedido formal de suspeição no documento, integrantes da Corte ouvidos pelo jornal avaliam que os elementos descritos poderiam comprometer a permanência de Toffoli na relatoria e no julgamento do caso.
Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, o ministro confirmou a interlocutores que recebeu valores da empresa Maridt, que detinha participação no Tayayá, por ser sócio da companhia ao lado de familiares. Ele afirmou que os repasses foram regulares e devidamente declarados à Receita Federal. Essa teria sido a primeira vez que detalhou publicamente sua participação societária na empresa.
O Estadão informou que Toffoli é sócio da Maridt, sociedade anônima administrada por dois de seus irmãos. Em 2021, a empresa vendeu sua fatia de 33% no resort ao fundo Arleen, gerido pela Reag Investimentos e que tinha como acionista o pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Conforme a Folha, o fundo investiu R$ 20 milhões nas empresas vinculadas ao empreendimento.
Ainda segundo o Estadão, Toffoli recebeu dividendos da Maridt, mas argumentou que, quando passou a relatar o caso Master, a empresa já não tinha participação no resort havia anos. O ministro também sustentou que todas as distribuições foram declaradas e aprovadas pela Receita Federal.
Em nota, Toffoli afirmou que o relatório da PF se baseia em “ilações” e declarou que a corporação não teria legitimidade para pleitear sua suspeição. Ele informou que apresentará resposta formal ao presidente do STF. Interlocutores disseram ao Estadão que o ministro não pretende deixar a relatoria e sustenta não ter cometido irregularidades. Já a defesa de Daniel Vorcaro afirmou ao jornal que houve “vazamento seletivo de informações”.
Toffoli assumiu a relatoria das investigações sobre o Banco Master após atender a pedido da defesa de Vorcaro para que o processo fosse remetido ao Supremo, em razão da citação ao deputado João Carlos Bacelar (PL-BA), que possui foro privilegiado. Desde então, decisões do ministro no caso têm sido alvo de questionamentos.
Caberá ao presidente do STF decidir sobre eventual pedido de suspeição após analisar o conteúdo do relatório encaminhado pela Polícia Federal.



