Santa Catarina aumenta em mais de 500% as cirurgias bariátricas na rede pública de saúde

Santa Catarina registrou um crescimento expressivo no número de cirurgias bariátricas realizadas na rede pública de saúde. De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde de Santa Catarina (SES), o volume de procedimentos aumentou 550% em 2025 na comparação com 2022, refletindo a ampliação da assistência hospitalar no Estado.

Desde 2023, já foram realizadas 3.815 cirurgias bariátricas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em pacientes com indicação médica, garantindo atendimento em todas as regiões catarinenses. Somente em 2025, foram 2.228 procedimentos — número seis vezes maior que o registrado em 2022, quando ocorreram 343 cirurgias. A evolução foi gradual: 410 em 2023 e 834 em 2024.

Segundo o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi, a ampliação foi possível após a implementação da Tabela Catarinense de Procedimentos, do Programa de Valorização dos Hospitais e da habilitação estadual que permitiu que novas unidades passassem a realizar a cirurgia. Com isso, hospitais que antes atuavam apenas na rede privada foram incorporados ao atendimento público.

Além do aumento no número de procedimentos, também houve expansão da rede credenciada: o total de hospitais habilitados passou de seis, em 2022, para nove, em 2025.

Hospitais que realizam o procedimento

Atualmente, as cirurgias bariátricas são realizadas nas seguintes unidades: Hospital Geral Tereza Ramos, em Lages; Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, em Joinville; Hospital Regional Homero de Miranda Gomes, em São José; Hospital Universitário da UFSC, em Florianópolis; Hospital Santo Antônio, em Blumenau; Hospital Azambuja, em Brusque; Hospital Dom Joaquim, em Sombrio; Hospital São Vicente de Paulo, em Mafra; e Hospital São Miguel, em Joaçaba.

Os três últimos passaram a integrar a rede durante a atual gestão.

O destaque em número de procedimentos é o Hospital Dom Joaquim. Incorporado ao sistema em abril de 2024, realizou 281 cirurgias até dezembro daquele ano e, ao longo de 2025, chegou a 1.337 procedimentos. Na sequência aparecem o Hospital Regional Hans Dieter Schmidt (552 cirurgias desde 2023), o Hospital São Miguel (546) e o Hospital Santo Antônio (490).

Mudança na qualidade de vida

Três meses após passar pelo procedimento no Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, a paciente Naline Pires da Silva Borges já percebe os impactos positivos. Diagnosticada com diabetes e hipertensão quando pesava 122 quilos, ela eliminou 17 quilos e reduziu a necessidade de medicamentos.

Segundo a paciente, o acompanhamento multiprofissional no pré e pós-operatório — com nutricionista, psicóloga e equipe de enfermagem — foi fundamental para o sucesso do tratamento.

O cirurgião do aparelho digestivo Rui Celso Vieira, da unidade de Joinville, explica que a cirurgia é indicada apenas após pelo menos dois anos de tratamento clínico convencional sem resultados satisfatórios. Entre os critérios avaliados estão o Índice de Massa Corporal (IMC), a presença de comorbidades e a análise de equipe especializada.

Além da perda de peso, o procedimento contribui para a redução de doenças metabólicas, hipertensão, problemas articulares e outras condições associadas à obesidade.

Como buscar atendimento

A rede pública catarinense conta com a Linha de Cuidado à Pessoa com Sobrepeso e Obesidade, que envolve desde a Atenção Primária até a Atenção Especializada. O primeiro passo para quem busca tratamento é procurar a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Após avaliação, se houver indicação, o paciente é encaminhado para um hospital de referência.

Considerada uma doença crônica não transmissível, a obesidade afeta pessoas de todas as idades e pode desencadear complicações como diabetes, doenças cardiovasculares, depressão e alguns tipos de câncer, reforçando a importância do tratamento contínuo e adequado.

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