O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou a tradicional mensagem de fim de ano para abordar temas que devem ganhar destaque no cenário político nacional, especialmente com foco nas eleições de 2026, quando o petista deve disputar a reeleição.
Durante o pronunciamento, transmitido em cadeia nacional às 20h30, Lula enfatizou o papel da Polícia Federal no enfrentamento ao crime organizado. Sem mencionar diretamente a investigação, ele citou a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto em São Paulo, classificando-a como “a maior operação já realizada contra o crime organizado”. A ação conjunta entre órgãos federais e estaduais investigou centenas de postos de combustíveis usados para lavagem de dinheiro ligada ao PCC em quatro estados.
Segundo o presidente, o combate às facções criminosas alcançou níveis inéditos. “O combate às facções criminosas chegou pela primeira vez ao andar de cima, e nenhum dinheiro ou influência vai impedir a Polícia Federal de seguir adiante”, afirmou.
Lula também fez referência ao debate sobre o fortalecimento da PF, que envolve mais recursos e maior autonomia para o órgão. O tema está presente no Projeto de Lei Antifacção, inicialmente elaborado pelo governo, alterado na Câmara dos Deputados e posteriormente ajustado no Senado em um texto intermediário que acabou sendo bem recebido pelo Executivo.
O pronunciamento, com cerca de sete minutos de duração, foi gravado no Palácio do Planalto. No vídeo, Lula aparece sentado, com uma árvore de Natal ao fundo, lendo o discurso.
Defesa do fim da escala 6×1
Outro ponto central da mensagem foi a defesa da redução da jornada de trabalho. Lula destacou o fim da escala 6×1, sem redução salarial, como uma medida essencial para combater a desigualdade social.
“Nenhum direito é tão urgente, hoje, quanto o direito ao tempo”, afirmou o presidente.
O debate sobre a redução da carga horária ganhou força nas últimas semanas. Atualmente, tramita no Congresso Nacional uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que propõe o fim da escala de seis dias de trabalho por um de descanso. Paralelamente, o governo tem incentivado sindicatos a pressionarem por uma jornada máxima de 40 horas semanais, com cinco dias de trabalho e dois de folga.
Os temas abordados no discurso reforçam pautas sociais e institucionais que o governo pretende levar ao centro do debate político nos próximos anos.


