O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), informou que irá apresentar uma representação à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida foi anunciada após declarações feitas pelo chefe do Executivo federal durante visita ao município de Itajaí, no litoral catarinense, na última sexta-feira (26).
Durante seu discurso, Lula criticou iniciativas relacionadas à política de cotas raciais no estado e defendeu o combate ao racismo. O presidente também afirmou que não deve haver espaço para qualquer ideia de superioridade entre brasileiros em razão da cor da pele ou da origem regional.
Ao abordar o tema, Lula mencionou a tentativa de criação de uma legislação estadual que previa o fim das cotas raciais nas universidades, posteriormente considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em seguida, comparou discursos de supremacia racial à ideologia defendida pelo líder nazista Adolf Hitler, afirmando que não se pode admitir qualquer conceito de “hegemonia branca”, classificando essa visão como resultado da ignorância.
Jorginho Mello afirmou que as declarações foram interpretadas como uma generalização ofensiva aos moradores de Santa Catarina. Segundo o governador, a fala extrapolou os limites do debate político e atingiu a imagem da população catarinense.
“O presidente pode fazer críticas ao governo estadual ou às nossas ações. Isso faz parte da democracia. Mas atribuir ao povo catarinense a pecha de racista é algo que considero inaceitável e que deve ser apurado”, declarou o governador.
De acordo com Jorginho Mello, a representação deverá ser protocolada na Procuradoria-Geral da República na próxima segunda-feira (29), para que o órgão analise o caso e adote as medidas que considerar cabíveis.





